Visita às raízes do cooperativismo agregam novos aprendizados ao Sicoob Copersul
Presidente do Conselho de Administração da cooperativa, Sara Tavares, integrou missão internacional do Sistema Ocemg e conheceu experiências de referência na Inglaterra, França e Portugal
Há conhecimentos que atravessam fronteiras e voltam para casa com um novo significado. Foi assim com Sara Mesquita Tavares Nogueira, presidente do Conselho de Administração do Sicoob Copersul, que integrou, a convite do Sistema Ocemg, uma missão institucional internacional dedicada a conhecer algumas das raízes e experiências que ajudam a construir o cooperativismo no mundo.
Entre os dias 29 de julho e 5 de agosto, Sara esteve ao lado de outros 15 conselheiros e dirigentes de cooperativas mineiras em uma jornada pela Inglaterra, França e Portugal. A programação reuniu visitas técnicas, intercâmbio e capacitação, com o propósito de ampliar a visão estratégica das lideranças e conhecer práticas de governança e modelos cooperativistas desenvolvidos em diferentes realidades.

Para Sara, a experiência ganha uma dimensão ainda maior quando se pensa no lugar que o Sicoob Copersul ocupa no cotidiano de milhares de pessoas. A cooperativa está presente em Três Pontas, Santana da Vargem, Coqueiral e Nepomuceno, e os conhecimentos adquiridos durante a missão podem se transformar em novas perspectivas para a gestão, para as equipes e para as comunidades atendidas.
A trajetória da trespontana dentro do cooperativismo também ajuda a compreender a importância dessa experiência. Antes de chegar à presidência do Conselho de Administração, Sara percorreu diferentes áreas dentro da cooperativa, conhecendo de perto várias etapas da operação e, principalmente, as necessidades de quem chega até o Sicoob Copersul. A missão internacional, portanto, é uma oportunidade de ampliar repertório para quem participa das decisões que influenciam o presente e o futuro da cooperativa de crédito.
Em Paris, cooperação significa abrir portas
A primeira parada da missão foi na França. Em Paris, o grupo conheceu o Les Relais Solidaires, iniciativa que nasceu na década de 1990 e atua com formação e inserção profissional na área de alimentação.Atualmente estruturado como uma sociedade cooperativa de interesse coletivo, o projeto reúne restaurante, formação, serviços de alimentação e outras iniciativas voltadas à inclusão social. O Les Relais já auxiliou centenas de pessoas a encontrar caminhos de volta ao mercado de trabalho.
O modelo conhecido em Paris mostra, na prática, como a cooperação pode estar associada à qualificação profissional, à inclusão e à criação de oportunidades para pessoas que enfrentam dificuldades para acessar o mercado de trabalho.
Rochdale: volta ao ponto de partida
Depois, a missão chegou à Inglaterra, mais precisamente a Rochdale, considerada o berço do cooperativismo moderno. Foi ali que, em 1844, os Pioneiros de Rochdale organizaram uma experiência que se tornaria referência para o movimento cooperativista. O grupo de trabalhadores criou uma sociedade cooperativa de consumo em um cenário de dificuldades econômicas e sociais, estabelecendo princípios que ajudariam a influenciar o cooperativismo ao longo dos anos.
Estar naquele lugar representa, para qualquer liderança cooperativista, uma oportunidade de olhar para a própria atividade a partir de suas origens. No caso de Sara, essa passagem ganha um significado especial. O Sicoob Copersul também nasceu de pessoas que acreditaram na força da união e, ao longo de sua história, ampliou sua presença regional. Fundada em Três Pontas, em 1995, a cooperativa chegou a Nepomuceno em 1999, a Coqueiral em 2000 e a Santana da Vargem em 2010, fortalecendo sua atuação junto às comunidades.
A distância entre Rochdale e o Sul de Minas é enorme. A ideia central, porém, permanece próxima: pessoas que se unem podem construir soluções para necessidades coletivas.
Portugal amplia o olhar para produção e mercado
Em Lisboa, a programação levou o grupo à AdegaMãe, em Torres Vedras, no Oeste português, empreendimento voltado à produção de vinhos e ao enoturismo. O projeto nasceu de uma família empreendedora ligada à terra e ao vinho e investiu em uma estrutura moderna, associando produção, comercialização e experiências turísticas.
Para os cooperativistas mineiros, conhecer uma realidade como essa representa mais uma oportunidade de observar como diferentes organizações trabalham a relação entre produção, mercado, território, inovação e valorização de uma atividade econômica.
É justamente nesse exercício de comparação de realidades que a missão ganha força: não se trata de reproduzir modelos estrangeiros, mas de voltar para casa com perguntas novas, ideias renovadas e possibilidades que possam fazer sentido dentro da realidade sul-mineira.


A programação reuniu visitas técnicas às raízes do cooperativismo, intercâmbio e capacitação, com o propósito de ampliar a visão estratégica das lideranças e conhecer práticas de governança e modelos cooperativistas desenvolvidos em diferentes realidades
Conhecer raízes, construir o futuro
Para a trespontana Sara Tavares, a experiência pode ampliar o olhar sobre questões que fazem parte do dia a dia do Sicoob Copersul, como governança, formação de pessoas, inovação, relacionamento com os cooperados e desenvolvimento local.
Quando esse conhecimento retorna para Três Pontas, Santana da Vargem, Coqueiral e Nepomuceno, a viagem ganha um novo sentido. As raízes do cooperativismo estão em Rochdale. As experiências podem estar em Paris ou Portugal, mas o futuro desse aprendizado será construído aqui, no cotidiano das pessoas, das equipes e das comunidades que dão vida ao Sicoob Copersul.

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