Tribuna Livre da Câmara de Três Pontas aborda capacitismo e a importância da acessibilidade para a inclusão

Bruno Ceguinho usou o espaço democrático para destacar barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência e ressaltou a importância da acessibilidade para garantir autonomia e cidadania

Na noite de segunda-feira (28), a Tribuna Livre foi utilizada por Bruno Donizetti Máximo, conhecido como Bruno Ceguinho, atuante na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, que levou à Câmara Municipal de Três Pontas, uma reflexão sobre o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização e à inclusão da pessoa com deficiência.

Logo no início de sua fala, Bruno se descreveu aos presentes, mencionando ser uma pessoa morena, de cabelos grisalhos, estar usando uma camisa preta e carregar uma bengala prata em sua mão direita. A autodescrição, além de permitir que pessoas cegas pudessem compreender sua aparência, também serviu como ponto de partida para uma fala marcada pela defesa da acessibilidade, da autonomia e da participação das próprias pessoas com deficiência na construção das políticas que lhes dizem respeito.

Em sua introdução, Bruno citou e recomendou o livro “A Epopéia Ignorada: a pessoa deficiente na história do mundo de ontem e de hoje”, de Otto Marques da Silva, publicado em 1987 no Brasil, para abordar a trajetória histórica das pessoas com deficiência e a construção de práticas e percepções que ajudam a compreender o capacitismo estrutural.

Tribuna Livre da Câmara de Três Pontas aborda capacitismo e a importância da acessibilidade para a inclusão
“O Setembro Verde não é uma luta de um calendário, de um mês. O capacitismo precisa ser combatido o tempo todo” (Bruno Máximo)

Ao abordar o capacitismo, Bruno destacou que ele é estrutural e pode se manifestar de diferentes formas, inclusive em atitudes consideradas positivas. Segundo ele, é comum que uma pessoa com deficiência seja elogiada por “falar bem” ou “se portar bem”, quando, na verdade, o que deveria ser valorizado é a pessoa em sua individualidade, e não uma expectativa criada a partir de sua deficiência.

Bruno também chamou atenção para as diferentes barreiras enfrentadas diariamente, como as barreiras arquitetônicas, comunicacionais e atitudinais, citando a falta de piso tátil, sinalização sonora, materiais adaptados, autodescrição e Libras. Para ele, o Braile representa apenas uma parte de uma questão muito mais ampla. “Inclusão sem acessibilidade é só uma palavra bonita. A acessibilidade nos dá acesso”, afirmou.

Durante a fala, também destacou o princípio “Nada sobre nós sem nós”, associado à luta das pessoas com deficiência por participação efetiva nas decisões que envolvem seus direitos. Bruno defendeu que as políticas e ações voltadas à inclusão sejam construídas com a participação direta das pessoas com deficiência, e não apenas a partir de perspectivas externas sobre aquilo que elas precisam.

Ao refletir sobre o Setembro Verde, Bruno afirmou que as ações de conscientização não deveriam ficar restritas ao mês de setembro. Para ele, a sociedade precisa avaliar continuamente o que tem sido feito e quais frutos estão sendo produzidos em relação à inclusão, defendendo que o combate ao capacitismo seja permanente.

Em sua manifestação, também abordou a necessidade de políticas públicas mais efetivas e destacou que as pessoas com deficiência precisam ter garantidos não apenas direitos, mas também liberdade, autonomia e cidadania.

A acessibilidade, segundo Bruno Máximo, beneficia toda a sociedade e deve ser compreendida como uma condição para que todos possam participar plenamente dos espaços e serviços públicos. “O Setembro Verde não é uma luta de um calendário, de um mês. O capacitismo precisa ser combatido o tempo todo”, concluiu.

(Ascom CMTP)


Sintonize mais: Semana da Primavera 2026 terá quatro noites de apresentações gratuitas no Conservatório de Três Pontas