Chaves – Uma Homenagem Musical esgota ingressos antes da estreia
Espetáculo do Grupo Teatral Arte e Manha ganhou sessão extra após grande procura do público, confirmando talento e carisma dos jovens artistas trespontanos
O universo simples, divertido e afetivo de Chaves vai tomar conta do Centro Cultural Milton Nascimento neste fim de semana, em Três Pontas. Nesta sexta-feira (29), acontece a pré-estreia do espetáculo “Chaves – Uma Homenagem Musical”, apresentado pelo Arte e Manha, grupo teatral formado por jovens talentos da cidade que já vêm conquistando reconhecimento em apresentações públicas e fechadas.

Inicialmente prevista para duas sessões, no sábado (30) e no domingo (31), a montagem teve os ingressos esgotados rapidamente e, diante da intensa procura do público, nova apresentação foi aberta para o sábado (30), porém, os ingressos também se esgotaram em pouco tempo.
Fundado pelo ator Glauber Reis, o Grupo vem chamando atenção pela dedicação, criatividade e sensibilidade artística no palco. O SintonizeAqui conversou com Glauber sobre os bastidores da produção, os desafios da montagem e a emoção de ver o teatro local sendo abraçado pelo público.
Entrevista
Glauber Reis
Ator, diretor e fundador do Grupo Teatral Arte e Manha, de Três Pontas

Glauber, como surgiu a ideia de transformar o universo de Chaves em um musical do Grupo de Teatro Arte e Manha?
Bom, o Grupo Arte e Manha sempre gostou de Chaves e a gente sempre cogitou a possibilidade de levar para o palco esta história, mas não tínhamos condições e às vezes nos sentimos um pouco limitados, coagidos, com medo de comparações dos atores da série com atores do Arte e Manha. Foram quase quatro anos marinando, levando em banho-maria, deixando em stand-by e este ano deu certo.
O que o público pode esperar desse espetáculo?
Pode esperar muita entrega, muita dedicação dos atores, muito amor em cada detalhe, pode esperar algo mágico, algo lindo. Pode esperar uma qualidade que a gente vem tentando manter desde o primeiro espetáculo com venda de ingresso que foi o ‘Auto da Compadecida’. Desde o ‘Auto’ tentamos manter uma qualidade de interpretação, de produção para que o público sinta e enxergue a evolução do Grupo, porque isso para nós também é muito importante.
Como foi o processo de adaptação das músicas e cenas dos personagens tão conhecidos do público?
Foi um processo desafiador, um processo difícil, foram muitas horas, muitos dias de ensaio, na média de três ensaios de núcleos por semana, além do ensaio principal aos sábados. Isso fez com que os atores se dedicassem muito. Eles estudaram muito sobre ‘Chaves’, pesquisaram muito e abriram mão de coisas pessoais para poder ensaiar. Então, houve muitos desafios, como por exemplo, eles entenderem que são atores – e não cantores, portanto, não precisam estar 100% do tempo afinados, entender que o personagem exige mais o lado caricato do que o perfeito. Até na imperfeição existe uma arte e é isso que eu tentei explicar porque existe uma cobrança dentro do Arte e Manha muito grande, eles se cobram muito e acham que nunca estão prontos. Foi muito desafiador mesmo!
Além da preparação do elenco, qual foi o maior desafio em levar um clássico tão amado para o palco e ainda em um musical?
O maior desafio é a questão financeira. Um espetáculo como esse é muito caro. O cenário, que é a Vila do Chaves, é dispendioso: marcenaria, pintura, é muito investimento em figurinos que foram feitos em altíssima qualidade, praticamente iguais aos da série; perucas, maquiagem – tudo precisou ser comprado. O financeiro é o maior desafio porque o Arte e Manha vive da venda dos ingressos e nós praticamente zeramos o nosso caixa para fazer essa produção acontecer. Conseguimos, mas foi na luta, na garra.
O espetáculo busca atingir mais o público infantil, os adultos nostálgicos ou toda a família?
Toda a família. As crianças vão gostar porque o espetáculo tem uma pegada muito bacana, tem o lado infantil, a comédia, mas também tem o lado emocional. A peça trata de um momento importante, que é pós-morte do Roberto Bolaños. O fato de ele ter falecido faz com que a peça gire em torno disso, mas é engraçada, nostálgica e deliciosa de apresentar e assistir.

Como vocês receberam a notícia de que as duas primeiras sessões tiveram ingressos esgotados em tempo recorde?
Recebemos com muita alegria, com muita satisfação e nos sentimos honrados, queridos demais pela população. A gente sente que de alguma forma estamos fazendo as pessoas se voltarem para o teatro, fazendo as pessoas apreciarem um espetáculo teatral. Isso para nós é tão importante! A gente fica muito feliz, sentimos pura gratidão. Quando acontece isso, de ingressos esgotados e ainda rapidamente, vemos que valeu todo o esforço: de ensaios, produção, interpretação, todo o marketing, enfim, tudo, tudo valeu a pena.
A procura surpreendeu o Grupo? Vocês imaginavam essa repercussão?
A gente imaginava um pouco, mas tínhamos medo da comparação. Agora, este ano fizemos uma coisa muito louca: arriscamos, ousamos e pela primeira vez levamos os personagens para o palco do Festival Canto Aberto. A gente nunca tinha feito isso porque eu tinha receio das pessoas julgarem o espetáculo, o Grupo pela aparência de jovens que os atores têm. Nós apresentamos os personagens no Festival Canto Aberto e foi um sucesso, eles foram acolhidos. Isso ajudou com que os ingressos se esgotassem rapidamente.
Vocês pensam em mais uma sessão, mais uma extra?
A gente quer tirar férias (risos). Na verdade, quando os ingressos acabaram, pensamos: vamos abrir outra sessão e vender o máximo de ingressos possível, claro, dentro da lotação cabível e recomendável para o Centro Cultural. Nós temos despesas que são cobertas pela venda de ingressos. Temos a casa do Arte e Manha que é alugada, temos água, luz, internet, gastos com faxina, produtos de limpeza, enfim, é um Grupo que tem despesa alta mensal. Devido à agenda dos atores, não conseguiríamos apresentar o Musical nos próximos meses, e como havia procura, decidimos pela sessão extra de sábado (30), para arrecadarmos dinheiro para ficarmos mais tranquilos e tirarmos uma folga depois dessa estreia.
Existe algum personagem que tenha sido mais desafiador?
Todos os personagens são desafiadores para todos os atores, porém alguns atores assimilam e se conectam mais facilmente com seus personagens, outros se conectam depois de semanas, meses e até na reta final de ensaios. O desafio do ator é individual e cada um tem o seu tempo. Isso é natural e a gente respeita, mesmo sabendo que o nosso tempo é limitado. A gente conversa, incentiva, apoia. Depois que conecta, não desconecta mais… Graças a Deus!
Como foi a experiência dos atores durante os ensaios? Algum momento divertido ou emocionante marcou a preparação?
É uma experiência exaustiva, estressante e, claro, às vezes surgem alguns conflitos porque rolam a insegurança, o medo e eu tento sempre mediar, acalmar, acalentar. É complicado, pré-estreia, ansiedade, emoções afloradas. É um processo normal. Agora, confesso, na maioria, os momentos foram muito divertidos, a gente riu muito principalmente na reta final quando os atores começaram a improvisar mais. Para nós, a essa altura, o texto já ‘não faz muito sentido’, mas cada improviso nos pega de surpresa e aí pronto, não conseguimos segurar as risadas.

O musical contará com músicas inéditas ou canções inspiradas no universo de Chaves? De onde vêm as músicas?
Sim, teremos músicas inéditas e de onde elas vêm? Segredo, não vamos contar (risos).
O que esse espetáculo representa para o Grupo de Teatro Arte e Manha neste momento?
Realização de um sonho. Por quatro anos, esperamos para contar essa história, então agora vamos realizar um sonho. Gabriel Delfino era pequeno quando fez o primeiro teste para Chaves e agora está maior que todo mundo, ou seja, muita gente ali no nosso Grupo esperando: Roberta, Pedro, Maria, Ingrid… muitos atores esperando por essa oportunidade e o momento chegou. Vai ser lindo, vai ser maravilhoso e o que mais importa: foi abraçado pelo público, o que nos deixa muito feliz.
Que mensagem vocês esperam deixar para o público ao final de Chaves – Uma Homenagem Musical?
Legado. O legado do artista. A história fala sobre colocar-se à prova. Dentro da história, vamos ver os personagens passando por momentos de descobertas, autoconhecimento. A gente sabe que a plateia vai rir muito, mas a gente sabe que os últimos 30 minutos vai ser de muita emoção, de choro até, porque serão momentos marcantes, reflexivos. A gente espera que a plateia saia do Centro Cultural realmente emocionada, feliz e que queira voltar. Eu creio que as pessoas vão querer assistir de novo.
Considerações finais.
Ah, eu tenho que agradecer. Agradecer a todos, todos, todos… todos os atores do Arte e Manha, às pessoas que cuidaram do marketing, do cenário, do som, da iluminação, do camarim. O Arte e Manha hoje tem setores e todos eles trabalharam muito, cada um deu o seu melhor para que tudo aconteça. Um diretor sozinho não levanta um espetáculo, um líder sozinho não levanta uma equipe; a gente precisa da equipe, do elenco. Então, minha consideração final é um agradecimento especial a todos os atores, suas famílias que apoiam muito, os amigos, a imprensa, as autoridades, a todos aqueles que nos dão liberdade, nos dão lugar para falar, o direito de nos expressar e agradecer o público que nunca nos abandona.

(Créditos: Arte e Manha)
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