O Bota é Lindo: Festa da Consciência Negra ocupa a Praça do Botafogo nesta quinta-feira (20)

Evento promovido pelo Movimento “O Bota é Lindo” com apoio da Prefeitura Municipal de Três Pontas proporcionará momentos culturais e de pura descontração à comunidade

Esta quinta-feira, 20 de novembro, feriado do Dia Nacional do Zumbi e da Consciência Negra, será marcada em Três Pontas por uma das celebrações mais simbólicas do calendário local. A partir das 12 horas, a Praça do Botafogo se transforma em palco de resistência e ancestralidade com o Movimento “O Bota é Lindo”, que chega para reafirmar a força da cultura afro-brasileira no território trespontano. Embora seja uma iniciativa independente, o evento conta com apoio da Prefeitura e integra oficialmente a programação da Festa da Consciência Negra e Afromineiridade iniciada na terça-feira (18) e que se estende até amanhã (21). De acordo com os organizadores, a proposta é fortalecer identidades, promover encontros e dar visibilidade às vozes negras que constroem a história da cidade, além de oferecer à população momentos de lazer.

Sob o sol do feriado, ritmos, danças e expressões culturais vão ocupar a Praça até as 19h30min, evocando memórias e reafirmando raízes. Além de celebrar, o movimento se coloca como um manifesto coletivo pela preservação das tradições afro-brasileiras e pelo reconhecimento da contribuição negra na formação social e cultural de Três Pontas. Segundo representantes da Associação Coletiva para promoção de arte, cultura, esportes, educação e lazer no
Bairro Botafogo de Três Pontas, cada apresentação carrega o peso simbólico da ancestralidade, mas também aponta para o futuro, inspirando novas gerações.

Atrações confirmadas

A tarde promete ser movimentada, com música, batucada e performances que traduzem a pluralidade da cultura negra. Confirmados estão Batucada Maluca, Hugo e Leo, Roda de Samba, MC Neneco e Santiago, além de apresentações do artista Neco, que reforçam o mix sonoro do evento. Segundo os organizadores, a curadoria artística buscou reunir talentos locais, conectando tradições, contemporaneidade e a potência cultural do bairro.

Além da música, o público poderá acompanhar rodas de capoeira, manifestações populares e intervenções culturais que dialogam com memória, resistência e identidade afro-mineira.

O Bota é Lindo: Festa da Consciência Negra e Afromineiridade ocupa a Praça do Botafogo nesta quinta-feira (20)
O Bota é Lindo: Festa da Consciência Negra ocupa a Praça do Botafogo nesta quinta-feira (20), feriado nacional

“Serjão” Silva será homenageado na tarde festiva

O Coletivo “O Bota é Lindo” prestará uma homenagem especial ao ex-vereador Sérgio Eugênio Silva, o Serjão, em reconhecimento ao seu apoio, contribuição e compromisso com o grupo, com o bairro Botafogo, com a comunidade negra e com todo o povo trespontano.

“Sua trajetória inspiradora e seu trabalho dedicado fortaleceram ações, abriram caminhos e ajudaram a transformar a realidade de muitas pessoas. Por isso, celebraremos sua importância e legado com muita alegria e gratidão”, descreveu o Movimento em rede social.

Um convite à participação

Ao ocupar a Praça do Botafogo, o “O Bota é Lindo” destaca o bairro e adjacências como espaço de convivência, consciência cidadã e inclusão sociocultural. A proposta, explica o Movimento, é convidar a população a assistir, mas principalmente fazer parte da história, reconhecendo e celebrando as múltiplas influências afro-brasileiras que compõem a identidade trespontana.

O Bota é Lindo: Associação Coletiva prepara mais uma edição do evento para a comunidade do bairro Botafogo, para toda a cidade de Três Pontas (Crédito: Reprodução)

Festa da Consciência Negra e Afromineiridade: 2º dia de ações educativas e entretenimento

Se a festa desta quinta promete marcar o feriado, a programação desta quarta-feira (19) já adiantou o clima de reflexão e representatividade com ações envolvendo instituições de ensino. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, o dia começou cedo com atividades apresentadas pelos CMEIs Professora Nilce de Oliveira Piedade, Cônego Francisco e Pré-Escolar Tia Dalva Barros de Andrade Castro – Peixinho Vermelho. Na programação executada com êxito no Mercado Municipal, houve ainda contação da história “Menina Bonita do Laço de Fita” pelo Grupo Teatral Arte e Manha, que encantou as crianças com narrativas sobre pertencimento e diversidade cultural.

O segundo dia do evento ganhou força com a exposição do projeto “Raízes que nos unem”, uma iniciativa construída de forma coletiva pela Educação Infantil (1º e 2° períodos). A ação integra o compromisso assumido pelo Município no Pacto Nacional pela Educação Antirracista e Indígena, fortalecendo práticas pedagógicas voltadas à valorização da identidade, diversidade e pertencimento.

Projeto “Raízes que nos unem”: iniciativa construída de forma coletiva pela Educação Infantil
(1º e 2° períodos) de Três Pontas

A Prefeitura explica que cada unidade escolar apresentou os resultados do trabalho desenvolvido com as crianças ao longo dos últimos meses. Os estandes expostos formaram um verdadeiro mosaico cultural, fruto de pesquisa, vivências, conversas e atividades criativas realizadas em sala de aula.

Confira os temas apresentados por cada escola

*EM Professora Edna de Abreu – Cabelos que Contam Histórias – valorização da estética negra, dos penteados, das texturas e dos significados culturais associados aos cabelos.

*EM José Vieira Mendonça – Heróis e Heroínas Negras – exposição da vida de Carolina Maria de Jesus.

*CMEI Profª Nilce de Oliveira Piedade e CMEI Ana Garcia Veloso – Dona Anita – Brincadeiras Afro-brasileiras – jogos e expressões tradicionais que fazem parte do patrimônio imaterial do Brasil.

*CMEI Cônego Francisco – Histórias Africanas e Afro-brasileiras – contos, mitos e lendas, como Anansi, Iemanjá e Saci, que conectam imaginação e ancestralidade.

*Pré-Escolar Tia Dalva Barros de Andrade Castro – Peixinho Vermelho – Música e Ritmos Afro-brasileiros – samba, maracatu, axé, capoeira e o som marcante do berimbau.

Exposição evidencia que as crianças aprenderam novos conteúdos e também desenvolveram valores fundamentais, tais como respeito, identidade, reconhecimento histórico e fortalecimento do pertencimento

*EM Antonieta Ferracioli Duarte – Arte e Pintura Africana – cores, formas e símbolos presentes nas expressões artísticas tradicionais do continente.

*EM Nossa Senhora Aparecida e EM Professor Vieira Campos – Moda e Adereços Tradicionais – turbantes, tecidos africanos como kente e capulana, colares e seus significados culturais.

*CMEI Professor Mário Fernandes de Carvalho – Culinária Afro-brasileira – sabores, receitas e histórias que compõem a diversidade alimentar do povo brasileiro.

*EM Professora Nilda Rabello Reis – Palavras e Línguas Africanas no Português – vocabulários de origem africana que fazem parte do nosso cotidiano e enriquecem a língua portuguesa.

A Secretaria Municipal de Educação analisa que a Exposição evidencia que as crianças aprenderam novos conteúdos e também desenvolveram valores fundamentais, tais como respeito, identidade, reconhecimento histórico e fortalecimento do pertencimento. “Agradecemos o empenho das equipes escolares, professores, especialistas, diretores, famílias e, especialmente, das crianças, que deram vida a cada detalhe desta ação tão significativa”, conclui a Secretaria.

Projeto integra o compromisso assumido pelo Município no Pacto Nacional pela Educação Antirracista e Indígena, fortalecendo práticas pedagógicas voltadas à valorização da identidade, diversidade e pertencimento

Ainda no Mercado Municipal, a noite fechou a programação com chave de ouro: Dança Blacks de TP, Música Blacks de TP e com o Desfile da Beleza Negra, que exaltaram estética, identidade e orgulho ancestral. Segundo a organização, essas atividades reforçam que a luta contra o racismo e pela valorização da cultura negra começa pela educação e deve ser vivida também nas ruas, nos palcos e nos espaços públicos.

Além de exposições, evento trouxe rodas de capoeira, apresentações musicais, dança e muitos outros atrativos. Atividades reforçam que a luta contra o racismo e pela valorização da cultura negra começa pela educação e deve ser vivida também nas ruas, nos palcos e
nos espaços públicos

(Créditos: reprodução)


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