Nível de Furnas ameaça turismo, pesca e revela vestígios do passado
Lago atinge mais de 2,4 m abaixo da cota mínima e acende alertas para municípios banhados pela represa
Às 11 horas desta quarta-feira, primeiro dia de outubro, medições oficiais revelaram que o nível do Lago de Furnas caiu para 759,58 metros, ficando 2,42 metros abaixo da cota mínima de 762 metros. A variação em 24 horas foi de -11 cm. Tal volume representa uma queda preocupante diante das atividades econômicas e sociais que dependem da represa.
Várias cidades da região já sofrem impactos. Municípios que sobrevivem da pesca veem suas colheitas aquáticas definhar com a retração do espelho d’água. No turismo, locais como o Distrito do Pontalete, em Três Pontas, tão visitados nos finais de semana, temem a baixa atratividade – daqueles que chegam de barcos, lanchas, jet-skis – diante da paisagem ressequida. Na mesma localidade, a travessia do Lago de Furnas efetuada por uma balsa que faz a ligação com os municípios de Elói Mendes e Paraguaçu também pode ser afetada, caso a estiagem permaneça.
Quando o Lago baixa, a história emerge
À medida que os níveis baixam, testemunhas do passado ressurgem. Ruínas de antigas travessias, tais como pontes e estradas de ferro, áreas destinadas ao plantio e tantas outras estruturas antes submersas voltam à tona, revelando memórias das comunidades que foram desalojadas durante o represamento dos rios para a construção da Usina Hidrelétrica de Furnas.
É o caso das quase centenárias pontes do Distrito do Pontalete. Construídas sobre os rios Verde e Sapucaí, inauguradas pelo então governador Juscelino Kubitschek, no início dos anos 50 e também por ele, já presidente, submersas 10 anos depois. A cada seca forte, há baixa do leito e as ruínas das pontes emergem… e elas já começam a aparecer no meio das águas que, na contramão, aos poucos desaparecem.

Para o empresário e ambientalista trespontano, Sávio Martins, que cruza o Lago desde criança, assistir à nova retração é motivo de tristeza: “é lamentável ver o nível baixando de novo. Apesar de revelar lembranças e a história do nosso povo, há uma ameaça real à fauna aquática e a vida das pessoas que dependem desse Lago tão lindo, tão rico”, registra.
Quando o nível de Furnas retrai, animais aquáticos enfrentam concentração em áreas remanescentes, existem riscos de mortalidade e impactos nos ecossistemas. Moradores ribeirinhos confrontam erosão exposta e portos improvisados tornam-se impraticáveis em muitos pontos.
Os perigos para a navegação também são reais. “Na represa existem centenas de troncos de árvores enormes. É preciso muita cautela porque esses obstáculos naturais que ficaram submersos já estão reaparecendo e eles podem causar acidentes gravíssimos”, adverte Sávio Martins. O ambientalista cita o trecho Pontalete-Fama para chamar a atenção daqueles que fazem uso de embarcações.

Com o cenário alarmante, gestores locais e sociedade civil, defensores do “Mar de Minas”, reforçam “o apelo para que Furnas seja administrada de forma mais equilibrada, atendendo à geração de energia, mas também aos múltiplos usos da água. É preciso conciliar o despacho energético com a preservação das atividades econômicas locais”, afirmam.
De acordo com especialistas, a meta ideal é manter o Lago em torno de 763 a 765 metros, garantindo segurança hídrica e estabilidade para todos os setores. Considerando esses níveis, o volume registrado na manhã de hoje (1º) supera 3 metros… abaixo.
(Fontes complementares: cameraserraverde.com.br / @todosporfurnasepeixoto)
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