Mulheres Vivas: Brasil vai às ruas neste domingo (7) por um basta à violência contra mulheres e meninas e feminicídios

Mobilização nacional denuncia brutalidade crescente, pede reação coletiva e reforça que a luta é de toda a sociedade

Neste domingo (7), o Brasil ergue a voz contra um crime que insiste em destruir vidas e atravessar gerações: a violência contra mulheres e meninas. Em resposta à escalada das agressões e feminicídios, o movimento Levante Mulheres Vivas convoca atos simultâneos em várias cidades brasileiras para denunciar o que já deixou de ser estatística e tornou-se emergência nacional. Somente em 2025, mais de mil brasileiras foram assassinadas por serem mulheres, o equivalente a quatro mortes por dia.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada três mulheres no mundo – cerca de 840 milhões – já viveu algum tipo de violência doméstica ou sexual. O cenário brasileiro se agrava diante de crimes recentes que chocaram o país e intensificaram a indignação coletiva. Segundo ativistas, os casos não são exceções, mas sintomas de um sistema que falha em proteger as mulheres e impede que elas sobrevivam.

Recentes casos que viraram comoção e símbolo da urgência

As ruas se encheram de indignação após o assassinato de Catarina Karsten, estudante de pós-graduação morta por um homem enquanto caminhava na praia, em Florianópolis (SC). Em outro episódio que revoltou o país, um ex-servidor do Cefet Maracanã, no Rio de Janeiro, atacou e matou a diretora Allane Pedrotti e a psicóloga Layse Costa Pinheiro, ambas trabalhadoras da instituição. Esta foi mais uma tragédia estampada na dor coletiva.

Também entristeceu a população, o caso de Tainara Souza Santos, atropelada e arrastada por cerca de 1 km na Marginal Tietê, em São Paulo. Ela teve as pernas amputadas, passou por cirurgia para colocação de pinos no quadril, além de outros procedimentos como enxerto de pele. Segue internada, em coma induzido no Hospital das Clínicas. Segundo a família, Tainara conhecia o agressor. Ele nega.

Nesse caso, um detalhe escancarou cumplicidade: havia um passageiro no carro, que assistiu a tudo e nada fez. “Ele não dirigiu, mas não impediu. E a violência funciona assim: quando você vê e se cala, torna-se cúmplice”, alertam militantes.

Violência tem estrutura, discurso e cultura

Segundo levantamentos, 97% dos feminicidas no Brasil são homens. “A violência contra a mulher não cai do céu, ela é cultivada por discursos que naturalizam a dominação, culpabilizam as vítimas e transformam a frustração masculina em ódio”, explicam ativistas.

Nos últimos anos, a cultura do ódio impulsionada por perfis extremistas nas redes, como masculinistas e redpill, tem alimentado agressões que se manifestam nas ruas, nas casas e nas estatísticas. Segundo pesquisadores do tema, o patriarcado capitalista transforma mulheres e crianças em extensões da propriedade masculina, colocando-as no lugar mais vulnerável da hierarquia social, daí a brutalidade que explode em feminicídios.

Um país que pede reação

Citando São Paulo como exemplo, a capital já registrou em 2025 o maior índice anual de mortes femininas desde o início da série histórica, em 2015, e ainda faltam os meses de novembro e dezembro para contabilização total. Para lideranças que aderem ao Movimento, a emergência é evidente. “Se você vê esse massacre acontecer e sua única reação é dizer ‘eu não sou assim’, você é o passageiro cúmplice. Chega de discurso. É hora de puxar o freio de mão dessa barbárie”.

Mulheres Vivas: encontro, força e sobrevivência

Neste domingo, o ato pretende ir além de um protesto: será abraço coletivo, resistência política e grito de sobrevivência. A mobilização é pacífica, apartidária e aberta a todas as pessoas que entendem que a violência contra a mulher precisa ser tratada como emergência nacional.

A atriz e ativista feminista Rachel Ripani, uma das apoiadoras públicas da mobilização, reforça: “precisamos mostrar que essa luta não é só das mulheres. Ela é também dos homens, ela é de toda a sociedade. A gente precisa dar uma basta. Essa causa precisa de muitas ações em todas as esferas e a gente vai começar pela nossa, a esfera civil porque não suportamos mais sermos assassinadas e chacinadas, torturadas e mutiladas dia após dia neste Brasil; não só isso, mas assistir a discursos violentos que normalizam a misoginia e a violência contra mulheres. A gente vai se unir para trazer pessoas para essa pauta que é de direitos humanos e também de defesa das crianças porque muitas mulheres são violentadas e mortas junto ou na frente de seus filhos. Se engaje, procure saber como você pode nos apoiar”, detalha.

Entre militantes, a mensagem é clara: a mudança só começa quando todos assumem responsabilidade. O silêncio é cúmplice, a omissão mata e o momento exige resposta.

Chega! Queremos mulheres vivas e livres !


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