Eleições 2026 na Escola Coração de Jesus elegem Gabriel e Maria Gabriela
Projeto de Sociologia-Política transforma alunos em candidatos, ministros e eleitores, com campanhas, planos de governo, votação e apuração inspirados no processo eleitoral brasileiro
“Eu queria agradecer a cada eleitor que votou porque acredita em mim, acredita que eu posso mudar nossa realidade. Prometo que não vou decepcionar vocês, que vou cumprir cada palavra que falei aqui.” A declaração é de Gabriel Henrique, 15 anos, aluno do 1º ano do Ensino Médio e presidente eleito na 1ª Eleição da Escola Coração de Jesus, de Três Pontas. Ao lado da vice-presidente Maria Gabriela, ele venceu o pleito realizado na quinta-feira (27), após meses de pesquisa, estudo, planejamento e campanha eleitoral.

Há tempos, a Escola Coração de Jesus trabalha o tema “Política” em quatro níveis – local, estadual, nacional e mundial – nas aulas de Sociologia. Desta vez, a professora Juliana Lemos decidiu aproximar o conteúdo da rotina dos alunos e transformou as Eleições 2026 em uma experiência prática, capaz de mostrar como propostas, escolhas e responsabilidades interferem na vida coletiva.
Desde o primeiro semestre, os estudantes do Ensino Médio percorreram diferentes etapas de um processo eleitoral. Eles fundaram partidos políticos, elaboraram suas próprias legislações, criaram slogans, formaram chapas com candidatos a presidente e vice-presidente, dividiram funções ministeriais e construíram planos de governo.
A campanha também ganhou os espaços da Escola. Durante os recreios, os grupos apresentaram suas ideias, conversaram com os eleitores e distribuíram banners, santinhos, adesivos no modelo “praguinha” e outros materiais produzidos para divulgar as chapas. Na quinta-feira, após a exposição das propostas, chegou o momento de escolher os representantes.

Disputa de ideias e projetos
Os seis candidatos à Presidência, acompanhados pelos respectivos candidatos à Vice-Presidência e ministros, defenderam suas propostas diante dos eleitores. Seriedade, postura, falas firmes, segurança, transparência e um vocabulário elogiável marcaram as apresentações.
A exposição não se resumiu a uma sucessão de promessas. Os estudantes identificaram problemas, explicaram por que determinados temas mereciam atenção e detalharam caminhos possíveis para amenizar ou solucionar situações presentes na sociedade brasileira.
Um aspecto chamou atenção durante toda a atividade: cada chapa utilizou o tempo disponível para apresentar suas próprias ideias. Não houve ataques, comparações depreciativas ou críticas aos adversários. Os concorrentes buscaram conquistar os votos por meio de projetos, argumentos e dados, oferecendo um exemplo pertinente em um período no qual o Brasil também se prepara para uma eleição majoritária.
Roupas e sapatos sociais ajudaram a compor a formalidade do momento. As apresentações em PowerPoint acrescentaram informações, dados e recursos visuais aos discursos, tornando as propostas claras e facilitando a compreensão dos eleitores.
Os planos de governo contemplaram Saúde, Educação, Cultura, Direitos Humanos, Economia, Meio Ambiente, Segurança Pública e Esportes. Assuntos que afetam diretamente o cotidiano da população também ganharam espaço, como feminicídio, racismo, pessoas em situação de rua, uso consciente da tecnologia e dezenas de outras questões sociais.


As apresentações em PowerPoint acrescentaram informações, dados e recursos visuais aos discursos, tornando as propostas claras e facilitando a compreensão dos eleitores
Pesquisa foi um dos recursos utilizados para construir propostas possíveis
De acordo com a professora Juliana Lemos, cada plano foi elaborado a partir de pesquisas em fontes confiáveis e, em alguns casos, de consultas a especialistas. Os números e as estatísticas utilizados eram reais, atuais e foram conferidos por ela durante o desenvolvimento da atividade.
O trabalho também reuniu conhecimentos adquiridos em outras disciplinas e contou com contribuições de diferentes professores. Dessa maneira, os alunos perceberam que compreender um país exige observar vários campos ao mesmo tempo.
A dedicação das turmas deixou Juliana orgulhosa. Segundo a professora, o resultado revelou o quanto os estudantes aprenderam durante os meses de preparação. Cada fala, material de campanha e proposta apresentada carregava uma trajetória de leitura, discussão, produção coletiva e revisão.
A organização começou dentro de cada equipe, explica Gabriel Henrique, de 15 anos. “O primeiro passo foi dividir a equipe em ministérios. Analisamos que, cada um fazendo a sua parte, conseguiríamos um bom resultado. Cada ministério pesquisou e criou projetos coerentes com a nossa realidade, porque não adianta elaborar um projeto mirabolante se não podemos colocá-lo em prática”, conta o presidente eleito.
Depois da pesquisa, vieram os ensaios. “Começamos a treinar a nossa fala porque, aqui na frente, vendemos o nosso peixe e precisamos convencer que o nosso peixe é bom. Foi com bastante planejamento que fizemos todo o projeto”, acrescenta Gabriel.
Projeto despertou interesse pela política
Ao agradecer à professora “Ju”, Gabriel revelou que a experiência modificou sua relação com o tema. Antes, ele acompanhava apenas algumas etapas das eleições e tomava conhecimento dos resultados, sem observar com atenção todo o processo.
“Com esse projeto, comecei a tomar gosto pela política. Estou acompanhando as entrevistas e os debates dos candidatos de 2026 e passei a observar até aqueles que eu não conhecia. Esse projeto é fundamental. Os jovens não podem se afastar da política porque estamos em uma democracia. A união e o conhecimento podem ajudar a eleger um bom presidente”, comenta.
Aos 15 anos, Maria Gabriela também demonstrou maturidade em sua primeira entrevista como vice-presidente eleita. Para ela, a iniciativa ajudou os estudantes a enxergarem com outros olhos o lugar onde vivem e problemas cuja dimensão muitos ainda desconheciam.
“O projeto foi muito favorável para construirmos uma visão do lugar onde moramos que talvez ainda não tivéssemos. Conseguimos ver problemas que realmente existem e dos quais, às vezes, nem fazíamos ideia. A pesquisa foi necessária para elaborarmos propostas coerentes com a realidade e que se encaixassem na vida de cada pessoa”, explica.
Segundo Maria Gabriela, o objetivo do PUP foi pensar em condições para que os cidadãos pudessem fazer suas escolhas e participar da construção dos rumos do país. A vice-presidente eleita também chamou atenção para o valor das pessoas em qualquer projeto de governo.
“Qual é o futuro de um país? Muitas pessoas vão responder que é a educação, a economia, o governo ou suas origens. Todas essas respostas são boas, mas acredito que o futuro está naquilo que faz um país ser o que ele é: as pessoas. Sem pessoas, não haveria país e muito menos governo. Precisamos ter responsabilidade ao investir nelas, para que todos possam evoluir. Uma área conduz à outra e todas dependem umas das outras”, afirma.
A estudante acrescenta que o projeto ampliou sua maneira de avaliar uma candidatura. “Percebi que, para escolherem um presidente da República, muitas pessoas levam a decisão para o lado pessoal ou partidário e se esquecem de analisar as propostas e aquilo que está sendo prometido. Esse projeto fez a gente ampliar o pensamento”, diz Maria Gabriela.

Reconhecimento também veio dos adversários
A candidata Ísis, que conquistou o segundo lugar, avaliou positivamente a experiência e reconheceu a qualidade do grupo vencedor. “Achei muito interessante. Investimos bastante em nossa campanha e percebemos que os eleitores votaram realmente pelas propostas. Gabriel e Gabriela, juntamente com seus ministros, arrasaram. As propostas e os discursos foram impecáveis e chamaram minha atenção”, declara.
Ísis já havia participado do Parlamento Jovem de Três Pontas, mas ainda não tinha presenciado tamanho envolvimento dos colegas com a política. “Vi todos se mobilizando nas campanhas e discutindo propostas. Como houve trabalho em equipe, amizades foram construídas, foram fortalecidas. Política tem muito disso: observar, pensar, falar, ouvir e criar opiniões”, comenta.
A postura respeitosa também esteve presente entre os eleitores. Os alunos ouviram atentamente os planos, acompanharam os pedidos de voto e mantiveram o silêncio durante as exposições. Os próprios candidatos assistiram às falas concorrentes com educação, demonstrando que a disputa de uma eleição não precisa eliminar o respeito por quem apresenta ideias diferentes.
Uma das equipes resumiu durante sua apresentação os valores que deveriam orientar a escolha: justiça, responsabilidade, honestidade e respeito. A orientação era para que o cidadão analisasse quais candidaturas se aproximavam desses princípios, sem permitir que preferências pessoais substituíssem a avaliação das propostas.
Resultado da Eleição
Seis chapas representando seis partidos participaram da 1ª Eleição para Presidente, eleito na disciplina de Sociologia.
- 12 — PUP, Partido União pelo Progresso: Gabriel e Maria Gabriela — 37 votos – vencendo o pleito.
- 01 — PLD, Partido Linha da Data: Ísis e Helena.
- 17 — PEI, Partido da Educação e Inovação: Nycollas e Sofia.
- 27 — PVN, Partido Voz da Nação: Ravi e Valentiny.
- 67 — PP, Partido do Povo: Pedro e João Pedro.
- 31 — PR, Partido Raiz: Lara e Mariana.
A apuração foi conduzida pela professora Juliana Lemos, com o auxílio dos professores Lúcio Flávio e Vanessa Miranda. A Chapa 12 venceu com 37 votos, apenas quatro à frente da segunda colocada, a Chapa 01, que recebeu 33.






Seis chapas, representando seis partidos, disputaram a 1ª Eleição para Presidente, no projeto sobre Sociologia-Política desenvolvido junto ao Ensino Médio, na Escola Coração de Jesus, de Três Pontas
Conhecimento que seguirá além da sala de aula
Realizada no mesmo ano em que os brasileiros voltarão às urnas para uma eleição majoritária, a atividade deixou uma lição que não termina com a contagem dos votos. Os alunos conheceram o trabalho existente antes de uma candidatura, aprenderam a pesquisar informações, avaliar prioridades, formular propostas e apresentar soluções possíveis.
A experiência também plantou uma compreensão importante sobre o voto consciente. Escolher representantes exige atenção, responsabilidade e disposição para conhecer projetos, verificar informações e acompanhar a atuação daqueles que recebem a confiança da população.
Na Escola Coração de Jesus, Gabriel e Maria Gabriela celebraram a vitória, Ísis reconheceu o mérito dos vencedores e todos os participantes saíram com uma visão ampliada sobre política e cidadania. O resultado principal, portanto, não coube apenas na urna: ficou registrado no conhecimento adquirido por candidatos, equipes, professores e alunos eleitores.
Em um país que já vive novamente a intensidade de uma campanha nacional, a esperança é que os jovens levem essa aprendizagem para suas famílias, suas comunidades e suas futuras escolhas, preservando o diálogo, a análise responsável das propostas e o respeito democrático.






Pesquisa, estudo, trabalho em equipe, seriedade, respeito ao próximo. O resultado principal do projeto ficou registrado no conhecimento adquirido pelos alunos. Esperança é que os jovens levem essa aprendizagem para suas famílias, suas comunidades e suas futuras escolhas, preservando o diálogo, a análise responsável das propostas e o respeito democrático
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