Operação Brumadinho: buscas chegam ao fim e marcam, com bravura, um dos capítulos mais dolorosos da história de Minas
Corpo de Bombeiros encerra oficialmente as operações de campo; duas vítimas seguem desaparecidas e outros órgãos mantêm trabalhos periciais
Sete anos depois de uma tragédia que comoveu o Brasil e o mundo, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) anunciou oficialmente o encerramento das operações de busca pelas vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho. O comunicado foi feito nesta segunda-feira (26), data que simbolicamente sucede o sétimo aniversário do desastre ocorrido em 25 de janeiro de 2019, que deixou 272 mortos, de acordo com os registros oficiais. Entre as 270 vítimas fatais estavam duas grávidas.
Ao longo de 2.558 dias ininterruptos de trabalho, bombeiros percorreram, centímetro por centímetro, todo o volume de rejeitos, quase 11 milhões de metros cúbicos, liberado pelo colapso da barragem da mina Córrego do Feijão, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Mais de 5.000 militares de Minas Gerais atuaram diretamente na Operação Brumadinho, que também contou com o apoio de corporações de outros estados. Ao longo dos trabalhos, foram somadas mais de 1.600 horas de voo, com o emprego de 31 aeronaves, além do trabalho incansável de ao menos 68 cães de busca e da utilização de 120 máquinas pesadas, fundamentais para o avanço das frentes de atuação. Segundo o Corpo de Bombeiros, a verificação final da lama foi concluída em 23 de dezembro de 2025, permitindo o início do processo de desmobilização das equipes que atuavam diretamente em campo. A expectativa é que todos os equipamentos empregados ao longo das buscas sejam totalmente recolhidos até a primeira quinzena de fevereiro, concluindo a etapa logística da operação.
De acordo com o tenente Henrique Barcellos, porta-voz do CBMMG, a decisão foi tomada após esgotadas todas as possibilidades técnicas de localização no material remanescente. “Foram anos de um trabalho minucioso, humano e extremamente técnico”, afirmou o oficial em entrevistas concedidas à imprensa.

Buscas encerradas, mas trabalho da Operação Brumadinho continua
Embora os bombeiros tenham concluído sua missão, a chamada Operação Brumadinho segue ativa em outras frentes do Governo de Minas Gerais. Segundo Barcellos, a Polícia Civil mantém os trabalhos de análise e perícia em segmentos humanos encontrados pelo CBMMG com a finalidade de identificação, o que reforça que o compromisso com as famílias permanece. Não foram informados quantos segmentos ainda precisam ser analisados.
Durante os sete anos de buscas, 268 vítimas foram localizadas. Deste total, 88 corpos foram recuperados de forma integral, com cabeça, tronco e membros preservados. As outras 179 identificações ocorreram a partir de fragmentos corporais, resultado da violência do rompimento e da extensa área atingida pelos rejeitos de mineração. A última vítima do desastre localizada e identificada foi Maria de Lurdes da Costa Bueno, 59 anos, em fevereiro de 2025.
Duas vítimas permanecem desaparecidas: o mecânico industrial Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo.
Metodologia inédita
Diante da complexidade do cenário, um método específico e inédito foi desenvolvido para preservar os fragmentos humanos encontrados. Os materiais biológicos recuperados passaram a ser armazenados em caixas de zinco, mantidas em um caminhão frigorífico, garantindo maior conservação. Após a identificação, os fragmentos eram transferidos para caixas individuais, devidamente identificadas com o nome das vítimas.
Essa metodologia, segundo explicam os envolvidos, foi criada exclusivamente após a tragédia de Brumadinho, atendendo a uma exigência das próprias famílias. Os parentes das vítimas cobraram da Vale uma solução que permitisse preservar os restos mortais pelo maior tempo possível, já que, desde o início, se previa um processo longo e delicado de identificação. Um médico legista contratado pela mineradora foi o responsável por desenvolver o sistema utilizado durante toda a Operação Brumadinho.
Identificação e desafios periciais
A identificação das vítimas ocorreu, majoritariamente, por meio da análise de fragmentos ósseos, que oferecem maior resistência à degradação do DNA. Segundo os especialistas, os últimos tecidos moles, como pele e cabelo, foram encontrados em setembro de 2022. Esses materiais, mais frágeis, sofrem deterioração mais rápida, o que torna o trabalho pericial ainda mais desafiador, conforme explicam os profissionais.
O rompimento da barragem devastou comunidades inteiras, áreas ambientais e o rio Paraopeba, deixando marcas profundas que ainda hoje impactam a região e seus moradores.
Ao encerrar as buscas, fica o registro de um dos maiores esforços de resgate já realizados no país – marcado por técnica, persistência e respeito à memória das vítimas.


Operação Brumadinho: ao encerrar as buscas, fica o registro de um dos maiores esforços de resgate já realizados no país – marcado por técnica, persistência e respeito à memória das vítimas
“Fica o sentimento de dever cumprido, de termos honrado o compromisso firmado lá no início (…) Brumadinho, sem dúvidas, foi uma das grandes materializações do nosso propósito de salvar e valorizar vidas” (tenente Henrique Barcellos, porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais)
(Fontes: Itatiaia / TCM / G1)
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