Amor que alimenta: família e amigos se unem em corrente solidária por Vitor Campos

Aos 60 anos, o trespontano que nasceu desafiando diagnósticos e conquistando corações enfrenta uma nova fase de cuidados especiais

Nas ruas de Três Pontas, o nome Vitor Campos desperta lembranças, sorrisos e afeto. Quem o conheceu, mesmo que de longe, sabe: ele é daquelas pessoas que transformam o dia de qualquer um com uma palavra gentil, um olhar cheio de brilho e uma alegria quase infantil de viver. Hoje, aos 60 anos, o trespontano, que reside em Campinas (SP) desde pequenininho, precisa de ajuda. Depois de enfrentar uma internação delicada, ele agora depende de alimentação por sonda, uma solução vital para garantir os nutrientes necessários ao corpo e manter a força que sempre o caracterizou.

De acordo com a irmã, Rosângela Campos, o momento é de superação e ainda mais amor. “Vitor é um guerreiro desde o nascimento. Ele nasceu com Síndrome de Down, e os médicos diziam que não viveria muito. Mas Deus tinha outros planos. Ele é um exemplo de vida, fé e ternura”, conta emocionada.

Uma vida marcada pela força e pela devoção

Nos primeiros anos de vida, Vitor e os pais, Antônio dos Reis Campos (Chapada) e Zélia Botrel Campos Reis, além da também pequena Rosângela, deixaram Três Pontas em busca de tratamento em Campinas. O que seria uma mudança temporária virou lar definitivo. E foi lá, entre consultas, aprendizados e muito amor, que Vitor cresceu, colecionando amigos e espalhando alegria.

Amor que alimenta: família e amigos se unem em corrente solidária por Vitor Campos
“Chapada” e o filho Vitor: família deixou Três Pontas em busca de tratamento para a criança que nasceu com Síndrome de Down. “… os médicos diziam que não viveria muito. Mas Deus tinha outros planos. Ele é um exemplo de vida, fé e ternura” (Crédito: arquivo pessoal)

Segundo Rosângela, a ligação dele com a terra natal nunca se rompeu. “Vitor tem um amor enorme por Três Pontas e uma devoção especial pelo Beato Padre Victor. Aqui, ao meu lado, ele acompanha pelas redes sociais a transmissão da Missa direto do Santuário Nossa Senhora d’Ajuda. Ele se sente em casa quando ouve o nome do Beato”, diz ela.

Vitor Campos é devoto fervoroso do Beato Padre Victor. Na primeira foto, ele exibe imagens do Anjo Tutelar dos trespontanos em sua casa, em Campinas (SP). Na sequência, durante visita ao túmulo do Beato no Santuário d’Ajuda, em Três Pontas (Crédito: arquivo pessoal)

Os Santinhos vão sempre juntos: imagens do Beato Padre Victor, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora Aparecida e Relíquia do Beato Padre Victor ocuparam lugar especial no hospital em que Vitor esteve recentemente internado por vários dias (Crédito: arquivo pessoal)

Um coração dividido entre Campinas e Minas

O coração de Vitor bate em dois ritmos: o da Ponte Preta, seu time amado em São Paulo, e o do Atlético – o Galão da Massa, seu amor mineiro. “Ele é um torcedor roxo da Ponte Preta, frequentador assíduo dos jogos, conhecido e querido pela diretoria, jogadores e torcida. Ele interage com todo mundo, é comunicativo e carinhoso”.

Semana passada, Vitor recebeu já em casa a visita de Darío Alberto Gicena, ex-atacante da “Macaca”. Na oportunidade, a fim de motivar seu amigo torcedor, o argentino prometeu que o time conquistaria um feito inédito, e a promessa se cumpriu: na noite de sábado (25), a Ponte foi Campeã Nacional pela primeira vez, “encerrando um jejum de 125 anos”. A vitória por 2 a 0 sobre o Londrina “coroou a campanha histórica na Série C”.

O pessoal do Clube tem se mobilizado para ajudar Vitor, inclusive com uma rifa de uma rede bordada, feita com muito carinho, para arrecadar recursos que serão destinados à dieta enteral, medicamentos e outras despesas pessoais”, conta Rosângela, agradecida.

Atenção especial: Gicena, que atuou como atacante na Ponte Preta, vai ao encontro de Vitor, que recebe o ídolo ainda bastante sonolento após alta hospitalar. Outro amor: em Minas, o Atlético é a grande paixão deste eterno menino que agora precisa da solidariedade de parentes e amigos (Crédito: arquivo pessoal)

O desafio da nova rotina

Depois da alta hospitalar, Vitor e Rosângela voltaram para casa, mas a rotina se transformou. “Ele está se adaptando à alimentação por sonda. É um processo difícil, especialmente para ele, que sempre foi muito ativo e cheio de energia”, explica a irmã. Além da adaptação emocional, o maior desafio está nos custos: a dieta enteral tem preço elevado.

“Temos recebido ajuda de alguns parentes e amigos, e somos imensamente gratos. Mas o custo é alto e precisamos de apoio contínuo para garantir que ele tenha o que precisa”, reforça Rosângela.

Na nova rotina está a dieta enteral: solução vital para garantir os nutrientes necessários ao corpo e manter a força que sempre caracterizou Vitor Campos

Corrente de amor e solidariedade

Em tempos de tanta correria e individualismo, a história de Vitor lembra o poder da empatia. Amigos de infância, vizinhos, torcedores e até desconhecidos devem se unir para ajudar. Cada contribuição, pequena ou grande, faz diferença e representa um gesto de carinho e esperança.

Quem puder ajudar, as contribuições devem ser feitas via PIX: 19997276409 (Rosângela).

“Vitor sempre foi luz. Agora é a nossa vez de retribuir um pouco dessa luz que ele espalha por tantos anos”, finaliza Rosângela, confiante.

Amor que alimenta: família e amigos se unem em corrente solidária por Vitor Campos
“Vitor sempre foi luz. Agora é a nossa vez de retribuir um pouco dessa luz que ele espalha por tantos anos” (Rosângela Campos, irmã) – (Crédito: arquivo pessoal)

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