Três Pontas planeja coleta noturna após alertas de lixo acumulado no Centro
Diante do descaso ambiental e até para com a saúde pública, Prefeitura propõe novo horário e mais infraestrutura como solução
Na madrugada desta quinta-feira (18), as praças Cônego Victor e Dr. Tristão Nogueira – que é popularmente conhecida como “Praça da Fonte” – estavam tomadas por lixo espalhado: a quantidade de sacolas rasgadas, caixas de papelão, copos e embalagens plásticas, isopor, até um par de chinelos e restos diversos, incluindo de alimentos, impressionou quem passava, além de se tornar obstáculo, especialmente para os idosos que participaram da Procissão da Penitência.

Alguns desses detritos parecem ter sido arrancados das lixeiras por cães comunitários em busca de alimento; em outros casos, pessoas em situação de rua já foram flagradas revirando o conteúdo das lixeiras, deixando resíduos ainda mais espalhados. Porém, o que mais chama atenção é imaginar que moradores, comerciantes e consumidores estão descartando lixo diretamente no chão dos cartões postais da cidade, um gesto que foge à responsabilidade e mancha a imagem local.




Lixo espalhado pela Praça “da Fonte” na madrugada desta quinta-feira (18)
Turismo, saúde e mobilidade impactados pelo lixo
Cidade suja causa vergonha e prejuízo. Três Pontas possui atrativos turísticos, dentre eles religioso, rural e de eventos. O município tem fortes candidatos a santos da Igreja Católica – o Beato Padre Victor e a Venerável “Nossa Mãe”. Além disso, é um Ramal do Caminho da Fé que leva à Aparecida (SP) e está também nas rotas dos Cafés do Sul de Minas e Nacional do Café. São várias opções que atraem milhares de turistas o ano inteiro.
Lixo acumulado em praças, ruas e avenidas não é um atrativo, ao contrário, repete turistas, prejudicando o comércio local e desvalorizando o patrimônio que deveria ser orgulho. E tem mais, resíduos no chão geram risco de contaminações, ferimentos, de quedas principalmente dos mais velhos, comprometem a mobilidade urbana e ameaçam a saúde inclusive dos animais comunitários que vivem nos espaços públicos após serem abandonados por seus tutores.
Soluções em curso
O prefeito Luis Carlos da Silva admite que o descarte de lixo ainda representa um problema grave em Três Pontas, destacando que “a questão é muito mais de educação do que de infraestrutura urbana”. Ele desaprova quem deixa lixo na rua fora dos horários de coleta, muitas horas antes ou depois da passagem do caminhão e dos garis.
Ainda assim, garante que mudanças estão sendo planejadas. Uma delas é transferir a coleta no Centro para o período da noite. Também existe, segundo Luisinho, projeto para comprar mais contentores ou containers de lixo como os que estão instalados na Praça Cônego Victor, chamados de “caçamba”. A ideia, conforme explica o prefeito, é usar o modelo em toda a região central.
Nos bairros, já há iniciativas diferenciadas. Na Avenida Juscelino Kubitschek, por exemplo, foram colocadas duas lixeiras fixas nas calçadas. Como as avaliações são positivas, existe o plano de expansão para outras regiões.

Prefeito pede conscientização dos cidadãos e incentiva reciclagem
O prefeito lamenta ver a sujeira, mas também elogia aqueles cidadãos que agem pelo cuidado com a cidade. Ele lembra que, além de descartar o lixo no horário certo, a comunidade pode separar material reciclável para a Atremar, garantindo destino correto e renda para catadores.
Outro ponto importante mencionado na manhã de hoje (18) pelo prefeito é a taxa de resíduo sólido, cobrada junto à conta de água, que financia o transporte do lixo até o aterro sanitário de Nepomuceno, necessário desde que a licença do aterro de Três Pontas não foi renovada tempos atrás. “Se não for pela causa ambiental, se não for em nome de uma cidade mais limpa, bonita, segura e saudável que seja uma ação motivada pelo financeiro. Todos nós pagamos a taxa de resíduo sólido, então, queremos que o lixo que produzimos tenha destino correto, não é? Mas isso começa com a nossa própria atitude em casa ou no nosso comércio”, ressalta.
Com seriedade, o prefeito Luisinho afirmou que é do tipo que “fala e faz”. Então, revelou que na casa dele, lixo é devidamente acoplado e depositado na lixeira da calçada dentro do horário vigente de coleta. Comentou também que praticar a coleta seletiva, destinando recicláveis para a Atremar, é uma das prioridades da família. “É um mínimo valioso que podemos fazer no nosso dia a dia”, incentiva.
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