Outubro Rosa – “Precisamos nos observar mais”
Neste ano, o Grupo Amigas Guerreiras de Apoio e Prevenção ao Câncer optou em não idealizar a extensa programação que anualmente movimenta a Cidade, alertando sobre os perigos do câncer de mama. No entanto, afirma a fundadora Cristiane Calixto, a turma vai, mais uma vez, levar a mensagem ao integrar atividades organizadas por empresas e pelo Poder Público em comemoração ao Outubro Rosa.
A ocorrência da doença é alarmante. Para 2016, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima o surgimento de 57.960 casos novos. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer é o mais frequente nas mulheres das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste. Na região Norte, é o segundo mais incidente.
“Cris” não tinha o hábito do autoexame, mas aos 33 anos descobriu, justamente em um toque, um ‘carocinho duro’ na lateral da mama. Em cinco dias retirou o nódulo e a biópsia apontou o tipo mais agressivo, um carcinoma ductal infiltrante grau 4. Hoje, está curada e atribui o sucesso ao imediatismo. “Não devemos achar que é coisa da nossa cabeça. Percebeu algo, corre para o médico e se for câncer encare com fé, determinação e procure manter o pensamento positivo e a autoestima elevada – não é fácil, mas é fundamental”, aconselha.
Com a experiência, a Esteticista afirma ter adquirido uma nova visão de mundo e de vida. A saúde, ensina, é o maior valor. “Todos temos que trabalhar, mas trabalhar para viver e não para morrer. Na correria não prestamos atenção no que o nosso corpo diz. Precisamos nos observar mais, nos tocar mais, nos amar mais e ir ao médico porque depois pode ser tarde e não ter mais volta. Um câncer de mama descoberto no início oferece mais de 90% de chance de cura”.
Guerreiras
As Amigas Guerreiras nasceram em dezembro de 2012, assim que “Cris” concluiu o tratamento. Ela se reuniu com as amigas Tarsila e Flaviane, também vítimas da doença, para uma confraternização natalina. Logo, surgiu a ideia da formação de um grupo sem fins lucrativos para apoiar mulheres acometidas pela doença e familiares, e ainda para realizar campanhas de conscientização. “Só quem passa por um câncer entende o que o outro sente”, afirma.
Engana-se, no entanto, quem imaginar que nos encontros rolam apenas conversas sobre o câncer e predomina o baixo astral. Nada disso: as integrantes ouvem, aconselham, trocam experiências, sim, mas também brincam, dão boas risadas, fazem piadas, enfim, tentam mostrar que o peso do fardo pode ser mais leve com união e compartilhamentos. Dia da beleza é uma das ações realizadas periodicamente com o objetivo de valorizar a beldade feminina que, avaliam as Amigas Guerreiras, pode até ser abalada, mas nunca apagada.
Vale destacar que também os homens são vítimas do câncer de mama, portanto, as dicas vão também para a ala masculina.